Somos o que comemos

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A Drª Ana Filipa Baião, nutricionista das Clínicas Em Forma, falou  à Revista “Viva Mais Saúde Viva Melhor”, juntamente com mais dois nutricionistas, sobre o poder dos alimentos e o papel que a alimentação desempenha na nossa saúde. Deixamo-vos alguns excertos da entrevista.

“O que comemos define aquilo que somos porque, por um lado, pode acelarar o processo de envelhecimento e reduzir a nossa resistência, mas também pode melhorar o nosso sistema imunitário, aumentar a resistência, contrariar o desenvolvimento de doenças e ainda tem um potencial antioxidante contra o envelhecimento e a manifestação de doenças.”

“Não podemos esquecer que o nosso organismo é um sistema celular muito bem organizado e as nossas células, a sua composição, a sua função e também a manutenção, estão fortemente dependentes de todas as moléculas (nutrientes) alimentares que fornecemos através dos alimentos que selecionamos diariamente para a nossa alimentação”.

“Não existiam casos graves e tão generalizados de obesidade, não conhecíamos doenças fatais em faixas etárias tão jovens e não conhecíamos casos de jovens com cansaço fácil, por exemplo. E tudo isto pode parecer um contrassenso, pois não tínhamos tanto poder de compra, acesso fácil ou variedade alimentar, mas é a realidade. O que aconteceu então? É simples: não existiam alimentos altamente processados. Desde os anos 90 até recentemente, muitos portugueses, especialmente jovens, adotaram um padrão alimentar fortemente ocidental, baseado em farinhas altamente refinadas, produtos açucarados, refrigerantes, produtos de pastelaria, carnes gordas, gorduras saturadas e refeições muito processadas e industrializadas. Enquanto nutricionista, foi-me possível observar nestas pessoas problemas que passam pela digestão difícil, intestino obstipado com fermentações longas e com formação de gases e défice vitamínico. Como resultado, tenho-me deparado com muitas obesidades que são acompanhadas de desnutrição. Sim, é estranho, eu sei, mas este estado bioquímico resulta de uma alimentação densamente calórica e pobre nutricionalmente. O pior é que estas pessoas apresentam risco de vida, pois a nível bioquímico já existem alterações hormonais e metabólicas que aumentam o risco de diabetes, colesterol e tensão arterial elevados, e, em consequência disso, risco de enfarte e/ou acidentes vasculares cerebrais (AVC).”

“Mas já vemos mudanças notórias e os portugueses demonstram ter cada vez mais interesse em adotar uma alimentação saudável, variada e adequada ao seu perfil metabólico e ao seu estilo de vida”.

“Temos de acabar com alguns maus hábitos, nomeadamente, os jantares em que impera a quantidade e a má qualidade, ficar muitas horas sem comer, recorrer a opções muito ricas em açúcar e gorduras, as carnes gordas ainda predominam e o peixe é uma escolha de fim-de-semana ou férias. A juntar a isso, somos um povo fortemente sedentário.”

“Esqueça o galão com torradas e comece o dia com proteína de alto valor biológico e cereais de elevado valor nutricional, mas pouco calóricos, pouco refinados e açucarados. Opte por frutas frescas, sementes e cereais para as refeições a meio da manhã e do dia, tenha um bom almoço, nutritivo e saudável, e prepare jantares leves e coloridos. Esta é a chave para a saúde e para se manter afastada da farmácia e do hospital.”

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