Porque é que eu tenho obesidade? – Causas da Obesidade

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A obesidade chegou sem dar por isso, instalou-se e agora teima em sair. Não se consegue livrar dela, por mais tentativas que faça. Mas, pensando bem, porque é que isto lhe acontece, a si? Ou seja, porque é que a obesidade chegou e o “atacou” a si? Logo a si, que tinha alguns cuidados com a alimentação. Logo a si que, de vez em quando, até fazia umas caminhadas. Porque será que isto aconteceu?

Muitas pessoas desconhecem, de facto, qual a origem da sua própria obesidade. E, para que consiga livrar-se deste problema, é preciso, indiscutivelmente, perceber porque é que isto aconteceu? Maus hábitos alimentares, falta de exercício físico ou genética?

Então, comecemos do início, e vejamos quais os factores associados ao desenvolvimento da obesidade. Enquanto estiver a ler isto, pense no seu caso e nas opções que podem ter levado ao aparecimento da SUA obesidade; nunca esquecendo que cada caso é um caso.

  • Hábitos alimentares: Crê-se que esta é uma das causas principais para o desenvolvimento da obesidade. É notável a transformação no sistema alimentar, relacionado com uma dieta rica em gordura (principalmente as de origem animal), açúcares e alimentos refinados, e sendo pobre em fibras. Isto acontece também devido à maior capacidade de compra de alimentos e ao aumento do consumo de fast-food e, indiscutivelmente, a uma diminuição do consumo de frutas e vegetais.
  • Causas genéticas: as teorias genéticas apontam para o peso como sendo uma característica familiar, que se manifesta por alterações no apetite (por exemplo, na determinação de preferências alimentares ou na ingestão de alimentos – tem-se demonstrado, tanto em animais como em humanos, que a criança tende a consumir alimentos que foram consumidos pela mãe durante a gestação e lactação); no gasto energético e no nível metabólico basal. Estima-se que entre 40% e 70% da variação no fenótipo associado à obesidade tem um carácter hereditário e que existem, pelo menos, 30 genes envolvidos na obesidade. Num estudo realizado em 2000, constatou-se que das quarenta mulheres com obesidade, 82,5% teve mães obesas e 15% tiveram pais obesos.
  • Causas metabólicas: o metabolismo de cada individuo está associado à capacidade do corpo transformar as calorias dos alimentos em energia, para vivermos. Todas as pessoas têm diferentes perfis metabólicos, sendo que a velocidade com que as calorias são transformadas é influenciada pelos ritmos circadianos do corpo. O sistema enzimático (um componente do metabolismo), também diferente entre os indivíduos, tem uma propriedade em que quanto maior a sua actividade, maior a capacidade do corpo de produzir gordura – daí haver aquelas pessoas que comem muito e não engordam; e, o contrário, também existe.
  • Hábitos de actividade física: A urbanização tem também um impacto sobre o nível de actividade física, predominando o estilo de vida sedentário, devido à falta de tempo – muito trabalho, seja no emprego ou em casa. Ainda assim, a actividade física associada ao lazer (por exemplo, ir com o seu filho andar de bicicleta pelo parque) também tem diminuído, principalmente nesta altura, devido ao frio e à chuva. Ainda assim, temos também de pensar nas duas mudanças fulcrais há uns anos atrás e que, consequentemente, levaram a uma redução da actividade física: o automóvel e a televisão. As caminhadas acabaram e a televisão substitui muitas actividades de lazer ou/e físicas. Reparamos bem nisso com as crianças: o brincar na rua tem sido, rapidamente, substituído por comportamentos sedentários dentro de casa.
  • Causas ambientais/sociais: O local onde a pessoa vive pode influenciar a dieta alimentar (por exemplo, a alimentação de uma pessoa do Alentejo será diferente da alimentação e dos condimentos utilizados por uma pessoa que viva à beira mar). Pode também influenciar a actividade (é mais fácil fazer exercício físico num local com campo ou jardins, do que no meio de uma cidade movimentada, por exemplo). O tamanho do agregado familiar (número de pessoas que reside na mesma casa)  também pode contribuir para a obesidade. Por exemplo, viver sozinho é um factor de risco para problemas de alimentação e níveis de actividade – não tem paciência para fazer comer só para si e, por isso, muitas vezes, compra comida congelada ou então manda vir uma pizza.  No entanto, as pessoas casadas e com filhos também podem ter mais tendência à obesidade. Isto, porque quantas mais pessoas viverem numa casa, mais calorias cada um consome; por vezes, só vai comer aquela sobremesa porque teve de a fazer para o seu filho, etc.
  • Causas económicas: Hoje em dia, a obesidade atinge todos os níveis socioeconómicos, apesar da frequência tender a ser nos países desenvolvidos e na população que tem salários mais baixos. Isto porque, por exemplo, as gorduras e açúcares são de fácil acesso e têm preços baixos. Também a situação profissional influencia. As pessoas desempregadas têm maior tendência a comer mais e a terem uma grande desregulação de horários de refeições. O abandono de profissões com grande actividade física, como a agricultura, para dar lugar a profissões mais sedentárias, também tem influência para um ganho de peso.
  • Outras causas: A idade é um factor de pré-disposição à obesidade, pois consoante a idade e as fases da vida em que uma pessoa se encontra, esta está mais susceptível a ganhar excesso de peso; sendo que os mais jovens e os idosos têm tendência a serem mais magros.

Mafalda Leitão

Psicóloga na Clínica Em Forma. Com trabalho clínico e publicado na área da psicologia positiva, emagrecimento através da mente, depressão e ansiedade. Trabalho científico publicado na área da obesidade e perda de peso bem sucedida e menopausa.

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