A Depressão e a relação com os Alimentos

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Sabia que a depressão afeta mais de 350 milhões de pessoas, em todo o mundo? Sabia que a depressão é a principal causa de doença e incapacidade na adolescência (dos 10 aos 19 anos)? Sabia que a depressão será a segunda maior questão de saúde pública, em 2020, ultrapassada apenas pelas doenças cardiovasculares? São números que o assustam, não é? Assustam-nos a todos nós e, na verdade, apenas metade das pessoas que têm esta doença recebem os tratamentos adequados.

Mas o que é isto da depressão? É apenas estar triste e sentir-se sozinho? Também, mas não só. Os sintomas mais frequentes desta doença são: a ansiedade, tristeza, baixa auto estima, sentimentos de culpa / incapacidade, pessimismo, perda de energia, perda de concentração e perspetiva muito negativa da vida. Deve estar atento a estes fatores e, sobretudo, se eles são constantes no tempo.

A nossa vida é problemática, não tenhamos dúvidas disso. Seja em casa, no trabalho… Há sempre alguma coisa que pode destabilizar! Mas, quais são então as causas desta doença? Primeiramente, existem fatores internos, como por exemplo, a genética – mas atenção que os nossos pensamentos, o nosso estilo de vida e a nossa própria personalidade podem moldar estes genes mais depressivos, digamos. Outras causas que vão acontecendo na nossa vida, tal como a educação que tivemos – imagine que teve uns pais muito negativistas, isso pode fazer com que também tenha uma visão mais negativa da vida. Por fim, temos os fatores de contexto, que podem desencadear sentimentos mais negativos e levar a uma depressão – por exemplo, o desemprego, um divórcio, a morte de alguém, entre outros.

E, portanto, gera-se aqui um ciclo de sintomas, que vão sendo cada vez mais fortes e frequentes. E a ajuda? A ajuda ainda é muito tabu. As pessoas pensam que poderão resolver tudo sozinhas (não podem) e as famílias não sabem o que fazer, pois são situações muito difíceis. E ninguém entende, porque o físico ainda funciona.

O que fazer? Além de procurar ajuda médica e profissional; a alimentação pode ser um fator muito importante, nestes casos.

Com certeza que já comeu algo só para se sentir feliz. Com certeza que já ouviu alguém comentar que a alimentação poderá ser uma compensação emocional.

Por vezes parece-nos tão distante e pouco possível que os alimentos nos compensem e nos deixem felizes, mas é verdade! Desde que nascemos, os alimentos podem ser confortantes emocionalmente; vemos bem isso nos recém-nascidos, onde a amamentação é um gesto de conforto, consolo e afeto. O bebé até pode estar a chorar por uma série de razões diferentes (por exemplo, frio, sono, dores…), mas a primeira compensação emocional que a mãe faz é dar comida. Já no caso dos adultos: sempre que recebe amigos ou familiares em casa, com certeza que prepara refeições com a intenção de os agradar ou deixar confortáveis.

É mesmo verdade! Os alimentos podem deixar-nos calmos, confortáveis e felizes! Conheça, de seguida, os 5 alimentos que o podem ajudar a apaziguar estados mais depressivos.

O processo metabólico de compensação é simples: no nosso sistema nervoso central (cérebro) existem recetores de neurotransmissores que, ao serem absorvidos, desencadeiam um estado/resposta hormonal ou metabólica que, na situação de compulsividade alimentar (por estados mais ansiosos ou depressivos), leva a uma baixa absorção em serotonina. Este neurotransmissor atua no cérebro, regulando o humor, o sono, o apetite, temperatura corporal e funções intelectuais (por isso quando estudamos ou preparamos algum trabalho, temos uma pré disposição para comer alimentos que nos saciem bioquimicamente).

1) Chocolate: Quanto mais rico em cacau melhor. É um alimento rico em proteína vegetal, que sacia e conforta pela presença de teobromina, um fitoquimico com absorção ao nível do sistema nervoso central. É ainda rico em minerais, como o magnésio, zinco, cobre e crómio (este último, essencial para reduzir a fome entre as refeições e o desejo de doces – por estabilizar a curva de açúcares);

2) Alface: Rica em foletos e lactucina, é um calmante natural;

3) Ovo: Rico em vitaminas do complexo B, acetilcolina e niacina; cuja carência provoca irritabilidade, ansiedade e depressão;

4) Pêra Abacate: Rico em triptofano, que é um aminoácido essencial para a produção de serotonina. Logo, ingerir pêra abacate pode ajudar a regularizar o humor e a diminuir a ansiedade;

5) Amêndoas e nozes: Muitos interessantes pela presença de minerais, como potássio e magnésio – essenciais ao bem estar emocional. Ricos em gordura saudável, gordura monoinsaturada, que permite “unir” o organismo com o sistema nervoso. Especialmente as nozes, pela sua riqueza em ómega 3, é um excelente alimento anti-depressivo.

Comece a ingerir estes alimentos, para que os seus estados de humor mais negativos sejam alterados. Contudo, não se esqueça de procurar a ajuda de um médico e psicólogo. Atuar em todas áreas é, sem sombra de dúvidas, o melhor tratamento possível!

 

Ana Filipa Baião (Nutricionista)

Mafalda Leitão (Psicóloga)

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